Caco Barcellos fala sobre a banalização da violência

O 33º ENPR aborda o tema

A segunda palestra da manhã deste domingo, 30, abordou o tema "A banalização da violência: exclusão social, criminalidade e drogas". O jornalista Caco Barcellos apresentou dados do anuário que registrou, no último ano, 58 mil mortes no Brasil decorrentes da violência. Confira aqui o áudio da palestra.

Barcellos relacionou os números à desigualdade social e econômica existente no país. Suíça e Etiópia foram usados como comparação pelo jornalista. Segundo ele, o Brasil contempla as duas realidades e elas estão muito próximas e misturadas. "No Rio de Janeiro, por exemplo, a realidade vivida nas favelas é a Etiópia. E a das pessoas muito ricas é a da Suíça", explicou.

O jornalista trouxe o resultado de uma pesquisa que alerta para o medo da sociedade em se tornar uma vítima da violência. "O brasileiro teme não voltar para casa. Teme a morte sem causas naturais", lamentou.

Ele foi enfático ao afirmar que o Brasil "é o país da brutalidade, da desigualdade e das injustiças". Ele chamou atenção para o grande número de civis mortos ao ano, vítimas do despreparo das iniciativas de segurança pública. "Temos cinco mil civis mortos contra 390 policiais. A morte não controla socialmente a violência. A polícia deve levar segurança e não só perseguição", denunciou.

"Nós precisamos de aliados, vocês são os advogados da sociedade brasileira. Nós contamos com vocês", foi o pedido feito pelo jornalista aos procuradores da República no fim da palestra. Ele agradeceu a oportunidade e mostrou-se lisonjeado com o convite.

Saiba mais - Barcellos atua, desde 2006, como diretor do programa Profissão Repórter, da Rede Globo. Especializado em jornalismo investigativo, documentários e grandes reportagens, ganhou notoriedade ao produzir matérias sobre violência, justiça social e direitos humanos.

Entre guerras, conflitos armados e perigos constantes, alguns dos destaques da carreira do jornalista foram as coberturas do massacre do Carandiru em 1992, os atentados terroristas em Madri em 2004, o falecimento do Papa João Paulo II em 2005 e o acidente que culminou no soterramento de mineiros numa mina de cobre no Deserto do Atacama, no Chile em 2010.