Desagravo une procuradores em apoio à Lava Jato

Representantes do MPF de todo o país participaram do evento em apoio ao trabalho da operação.

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho Cavalcanti, classificou como lamentáveis os ataques aos procuradores da Lava Jato feitos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, na quinta (14). “Não é admissível que haja qualquer tipo de retrocesso no combate à corrupção”, afirmou.

A declaração foi feita durante um ato de desagravo à força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, no Paraná, organizado pela ANPR neste sábado (16). O evento defendeu a liberdade de expressão e o trabalho da Lava Jato, depois que procuradores da força-tarefa foram chamados de “cretinos” e “gentalha” por Mendes.

“Quando um órgão do Estado consegue atingir o sistema político no que ele tem de mais negativo, patológico e criminoso, a reação sempre acontece. É esse o momento que estamos vivendo agora”, disse Robalinho.

Representantes do MPF de todo o país participaram do evento em apoio ao trabalho da operação. O encontro contou com a presença dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato no Paraná; representantes da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG).

A diretora cultural da ANPR, Livia Tinôco, foi quem abriu o evento com a leitura da nota pública de apoio à operação, divulgada esta semana pela associação. Também foram lidas diversas notas de apoio ao trabalho da Lava Jato, como a do CNPG, de membros do Conamp e da 2a Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.

INQUÉRITO

O presidente da ANPR também falou sobre a importância do respeito entre as instituições. E citou o inquérito instaurado pelo ministro Dias Toffoli  para apurar notícias fraudulentas. Para Robalinho, o ato do STF usurpa a função da procuradora-geral da República, já que o papel do juiz não é o de investigar.

O procurador Regional da República Maurício Gerun completou que o debate, respeitoso, é inerente à democracia. “A ofensa é inversamente proporcional à argumentação. E a justiça deveria dar o exemplo”, defendeu.

O procurador Deltan Dallagnol agradeceu aos cidadãos e aos integrantes do MPF de todo o país que enviaram mensagens de apoio à Lava Jato. "Mais do que um apoio à força-tarefa, esse é um apoio ao Ministério Público, porque essa é uma ação de toda a instituição.”

Em relação ao impacto do julgamento do STF que definiu a competência da Justica Eleitoral para julgar crimes comuns conexos com eleitorais, o diretor de Assuntos Jurídicos da ANPR, Rodrigo Tenorio, prevê dificuldades para o combate à corrupção. “A rotatividade da Justiça Eleitoral não combina com a capacidade de investigação. E a cada dois anos, ela direciona o seu foco somente nas eleições”, apontou.