Com a presença de procuradores da República, gestores públicos e representantes de associações de servidores públicos as discussões sobre o anteprojeto de lei orgânica se estenderam durante toda a quarta-feira (16/12).
17.12.2009
 Ampliar o debate sobre o anteprojeto de lei orgânica para a administração pública foi o objetivo do evento promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), em parceria com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Os Procuradores da República estão abertos à discussão acerca de qualquer questão a bem da sociedade brasileira”, afirmou o Presidente da ANPR, Antonio Carlos Bigonha. O evento "Debate sobre a proposta de lei orgânica para a administração pública e entes de colaboração" ocorreu na quarta-feira (16/12), no Auditório do CSMPF, na sede da Procuradoria Geral da República, em Brasília (DF). A atividade faz parte do projeto “Ciclos de Debates Direito e Gestão Pública”.
Com a presença de procuradores da República, gestores públicos e
representantes de associações de servidores públicos as discussões
sobre o anteprojeto de lei orgânica se estenderam durante toda a
quarta-feira. O Secretário de Gestão do Ministério do Planejamento,
Marcelo Viana, disse que o Estado brasileiro vive o desafio de
preservar a capacidade de execução das decisões tomadas
democraticamente em benefício da retomada do crescimento do País. “Aí
está à importância de modernizar a administração pública com uma nova
regulamentação”, afirmou Viana.
Para o Secretário, o controle público é um dos elementos mencionados na
proposta. “Queremos melhorar as condições dos formatos institucionais e
do funcionamento de órgãos e entidades da administração e, quem sabe,
introduzir novas formas de controle focadas em resultados”, destacou.
O subprocurador-geral da República Antônio Carlos Fonseca,
representante da 5.ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério
Público Federal (MPF), que trata de assuntos ligados ao patrimônio
público e social, participou da abertura do evento. Ele salientou que o
anteprojeto não deve levar à redução de controle dos órgãos públicos,
mas sim ao aprimoramento da fiscalização. Para Fonseca, a hora é
oportuna para discutir a forma de atuação dos gestores públicos. “O
anteprojeto é um convite à sociedade e aos administradores para
refletirem sobre a responsabilidade perante a coisa pública”, lembrou o
subprocurador-geral.
 O procurador da República André Bertuol acompanhou os debates e
demonstrou preocupação em relação à autonomia de gestão conferida no
texto da proposta. “A autonomia que se pretende conferir é muito ampla,
ela deveria ser gradual e partir do merecimento. Acredito que esse
ponto do anteprojeto deve ser analisado novamente”, afirmou Bertuol.
Ele também questionou o processo de elaboração de metas e sugeriu que o
processo deve ser transparente e acompanhado pelos órgãos de controle.
Na abertura do evento, a Secretária de Educação Superior do Ministério
da Educação, Maria Paula Dallari, elogiou a iniciativa do debate. “O
Brasil vive um processo de reconstrução do Estado e a tarefa jurídica
que acompanha esse desafio é imensa”, avaliou. Segundo ela, entre
controle prévio e posterior deve-se dar ênfase ao controle
concomitante. “Creio que seria a grande saída”, defendeu Maria Paula.
Ela também sustentou a publicidade na atuação dos órgãos por meio da
internet.
A proposta de lei orgânica para a administração pública foi apresentada
pelo professor Floriano de Azevedo Marques Neto, especialista em
Direito Administrativo e um dos integrantes da Comissão de Juristas
responsável pela elaboração do documento. O anteprojeto pretende
estabelecer normas gerais sobre a administração pública direta e
indireta, entidades paraestatais e entidades de colaboração. A proposta
em estudo contém normas de âmbito nacional, não se restringindo à
esfera federal, redefine as classes de entidades da administração
indireta e reconfigura seu regime jurídico, além de sistematizar as
atividades do terceiro setor.
Ciclo de Debates Direito e Gestão
Para superar impasses do dia a dia no setor público, como regras
arcaicas e crescente judicialização, a ANPR e o Ministério do
Planejamento lançaram, em agosto deste ano, o projeto “Ciclos de Debates
Direito e Gestão Pública”. A intenção é disseminar no País a discussão
e análise do que poderá ser feito para aperfeiçoar a ação do Estado.
Por meio dos encontros, a ANPR promove a integração entre profissionais
do Direito e profissionais de gestão, na análise crítica das atuais
dificuldades encontradas pelo Estado na consecução dos objetivos da
sociedade brasileira e na formulação e inovação de novos referenciais
comuns para a atuação estatal.
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