MPF e Amazônia: terceiro painel discutiu a defesa da cidadania na região

No terceiro encontro da série “O Ministério Público Federal e a proteção socioambiental da Amazônia'', a defesa da cidadania foi o tema do debate, na manhã desta sexta-feira (17). O debate foi transmitido pela TV ANPR e segue disponível (link). Participaram da atividade a integrante da Associação Humaniza Rachel Geber, o especialista em saúde indígena e professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap) Alceu Karipuna, e o vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Dário Yawarioma. O debate foi mediado pelo procurador da República Sadi Flores Machado.

Abrindo o debate, Rachel contou sobre o trabalho realizado pela Associação Humaniza, que busca erradicar a violência obstétrica, destacando os problemas do atendimento à saúde existente na região Norte, principalmente para mulheres grávidas. “A Humaniza, após uma análise minuciosa dos seus dados, concluiu que a maioria dos casos de violência obstétrica não estão relacionados à infraestrutura. A maioria está relacionada a maus-tratos, abandonos dos pacientes, falta de atualização do profissional que atende diretamente essas mulheres, e que afastam essa ideia de que só está relacionado com a infraestrutura, que falta leito, que falta material. Muitos profissionais se repetem nas denúncias e as secretarias de saúde têm muita dificuldade de afastá-los”, apontou.

Alceu Karipuna também falou sobre os desafios do acesso à saúde, mas com destaque às dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas. Criticou os órgãos que deveriam dar assistência por suas fragilidades, principalmente nesse período pandêmico. O professor destacou o trabalho de atendimentos gerais de saúde feito pelas parteiras indígenas nesse momento de falta de suporte por parte do Estado. “A parteiras foram quem realmente cuidaram das pessoas das comunidades, enquanto comunidades inteiras adoeciam, elas estavam lá, com ajuda de outras pessoas da comunidade, distribuindo remédios, indo para a mata, fazendo todo esse cuidado, e até mesmo em comunidades que têm influência urbana muito grande. Então, acho que foi um momento de grande fortalecimento. Quero ressaltar aqui que isso ocorreu em um momento em que o Estado, por meio da Secretaria de Saúde Indígena, ficou ausente. Isso proporcionou um intercâmbio entre as comunidades, muitas trocas, mas não estou falando aqui que isso tudo foi bonito. Trouxe muita angústia, sofrimento, mas percebemos que uma herança cultural em saúde foi extremamente importante para a preservação da vida”, afirmou.

Direito aos territórios

Dario Yawarioma criticou o constante crescimento do desmatamento da floresta Amazônica e da contaminação dos rios. Também apontou a responsabilidade do Estado em cuidar da “mãe terra” e os perigos que os garimpeiros causam nesses territórios. “Esses invasores são um problema muito sério. Cada um dos 305 povos indígenas está sofrendo com invasores em seus territórios. Por exemplo, garimpo ilegal, os fazendeiros e também outros estão invadindo nossas terras. Outras atividades que desmatam como plantação de soja, exportação da madeira extraída nos territórios. Enfrentamos uma situação muito perigosa, muito preocupante”, destacou Yawarioma.


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