ANPR Mulheres compila vídeos da campanha de 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

A Comissão ANPR Mulheres publicou nas últimas semanas, seis vídeos produzidos especialmente para a campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”, nas redes sociais da ANPR. Tanto no Twitter da ANPR (@ANPR_Brasil) quanto no Instagram (@anpr_brasil), foram exibidos vídeos que abordam as diversas formas de violência sofridas pelas mulheres, com a participação de lideranças sociais e de procuradoras da República.

Agora, esse material foi compilado em um grande e completo vídeo, disponibilizado hoje, no Dia Internacional dos Direitos Humanos, no canal de YouTube da ANPR: 

O primeiro vídeo trata do tema da violência política de gênero com Marinete Silva, mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em 2018; e Natália Soares, procuradora da República e integrante da ANPR Mulheres. Elas cobram a responsabilização dos assassinos e defendem a ocupação das mulheres em todos os espaços de poder e a participação ativa no debate público.

Na segunda peça, o tema foi o da violência contra mulheres migrantes. Fiorella Ramos, migrante indígena Warao venezuelana que atualmente mora em Boa Vista, relata as dificuldades de revalidação de diploma de medicina e os impactos sobre a população local. Procuradora da República e integrante da ANPR Mulheres, Manoela Lamenha cobra que as mulheres migrantes sejam visibilizadas e consideradas na construção e implementação de políticas públicas.

O tema da terceira produção são as mulheres negras e quilombolas. Foi apresentado o depoimento de Vercilene Dias, mulher negra, quilombola e mestre em Direito pela Universidade Federal do Goiás (UFG). Ela relata a discriminação sofrida por mulheres negras no Brasil e o papel das mulheres quilombolas na luta contra este preconceito. O vídeo também conta com a participação da procuradora da República Michele Corbi, que discorre sobre as dificuldades enfrentadas por mulheres não brancas em acessar carreiras jurídicas e a importância de propiciar a abertura desses espaços para mulheres de todas as etnias, idades e origens.

O quarto episódio falou de violência territorial e apagamento identitário de mulheres pertencentes a povos originários. A produção inicia com o depoimento da doutoranda em Antropologia, Cristiane Pankararu. Ela relata como a ausência de demarcações de terras indígenas e o desrespeito às áreas já demarcadas são duas das formas mais graves de violência patrimonial direcionada às mulheres. A antropóloga reforça que para falar de violência contra mulheres de povos originários, é preciso também olhar para o passado do Brasil e analisar que essa violência começou a ser aplicada nos primórdios da colonização europeia no país. Na sequência, a procuradora da República Ana Carolina Bragança reforça o impacto desproporcional que os ataques a terras indígenas têm sobre as mulheres, cujas identidades sofrem constante apagamento. A procuradora também discorre sobre o papel do MPF em proteger o direito ao território dessas comunidades.

O quinto vídeo tratou de violência obstétrica. A integrante do Coletivo Humaniza, Marília Freire da Silva, explica o que é a violência obstétrica, e a procuradora da República Bruna Menezes Gomes da Silva traz dados alarmantes sobre a realidade vivenciada pelas mulheres no Brasil, principalmente nos estados da região norte.

O sexto e último vídeo, que foi ao ar na sexta (10), contou a história de várias mulheres que, de uma forma ou de outra, se destacaram em busca de justiça por elas e por outras mulheres. Esse é o caso de Esperança Garcia, a primeira mulher a se tornar advogada no Piauí. Negra escravizada, ela escreveu uma carta ao então governador da capitania, relatando violações de direitos humanos sofridos por ela e por outras pessoas na fazenda onde trabalhavam.


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