X Prêmio República: reportagens sobre a chacina do Jacarezinho e a falta de energia elétrica vencem nas categorias de Jornalismo

Premiando materiais jornalísticos que envolvem a atuação do Ministério Público Federal (MPF), a categoria de Jornalismo do X Prêmio República teve como ganhadores “Um Quarto no Jacarezinho: Chacina deixou marcas nas crianças da favela”, na subcategoria Escrita e “Escuridão na Floresta/Sertão Medieval”, em Audiovisual. A premiação é uma iniciativa da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). O resultado foi divulgado, nesta quarta-feira (4), em solenidade, em Brasília-DF.

Escrita

“Um Quarto no Jacarezinho: Chacina deixou marcas nas crianças da favela”, reportagem de Leilane Menezes, veiculada pelo portal Metrópoles, registra os impactos da operação policial mais violenta da história do Rio de Janeiro sobre a população local. 

A equipe de reportagem entrevistou nove crianças moradoras da favela do Jacarezinho, uma das mais perigosas do país, para falar sobre como é crescer em um contexto como aquele. Os relatos trazem os impactos da violência na saúde mental, educação e lazer da população.

A reportagem destaca o trauma de crianças que acordaram com barulhos de tiros de fuzil, ou chegaram a presenciar um assassinatos durante a operação. Para propor mudanças nesse cenário, a Defensoria Pública, ONGs, psicólogos e representantes de instituições foram ouvidos.

Saulo Araújo representou a jornalista vencedora. 

"Esse prêmio é da coragem de fazer uma matéria que poucos tiveram coragem de entrar e mostrar uma realidade dura. Esse prêmio é para o Metrôpoles, um trabalho de um esforço coletivo. Que essa reportagem possa evitar que novas barbáries não aconteçam."

A menção honrosa da categoria foi para a matéria “GSI libera garimpo em áreas preservadas da Amazônia”, do jornalista Vinicius Sassine do jornal Folha de S.Paulo. A série de reportagens investigativas revelou a liberação do avanço do garimpo de ouro na região mais preservada da Amazônia pelo Ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Augusto Heleno.

“O Brasil que passa fome”, de Saulo Araújo do Metrópoles, ficou em segundo lugar; “Maceió está afundando", de Raphael Veleda e Igo Estrela do Metrópoles, em terceiro e a “Série de reportagens sobre armamento no Brasil”, de Fernanda Vieira Bastos do SBT News, em quarto lugar.

Audiovisual

Retratando o cotidiano de mais de um milhão de brasileiros que não possuem acesso à energia elétrica, “Escuridão na Floresta/Sertão Medieval” ganhou o primeiro lugar em Jornalismo-Audiovisual. A produção, de Daniel Mota da Record TV, realizou uma investigação documental baseada em entrevistas com vítimas da falta do serviço público em um país com uma das maiores matrizes energéticas do mundo.

A equipe de reportagem acompanhou a realidade de comunidades isoladas em cidades da Amazônia e do Sertão do Nordeste do Brasil. Sem energia elétrica, foram encontradas crianças que estudam em escolas no escuro e famílias que sofrem com acidentes por uso de combustível.Além de viverem às escuras, as comunidades não têm acesso à informação e tecnologia.

Daniel Mota emocionou a todos ao revelar que a situação encontrada nas comunidades um dia fez parte da própria história de vida.

"Neste momento em que estamos aqui neste evento milhares de brasileiros estão às escuras. É o que diz o IBGE. Com base nesses dados fizemos esse reportagem. Fomos atrás dessas pessoas que nunca tiveram a chance de tomar uma água gelada em casa, de ver uma tv. Essas pessoas estão como se tiverem parado no tempo. Não é uma e não são duas. São milhares. E quem são essas pessoas? São negros e nordestinos. Eu sou negro e nordestino, passei por isso e abracei essa pauta como muito carinho", concluiu.

O material jornalístico busca chamar a atenção das autoridades e dos poderes públicos sobre casos de corrupção, provocando também abertura de processos investigatórios por parte de instituições como Ministério Público.

“Caso João Alberto: Da Morte de um Homem Negro às Iniciativas de Combate à Discriminação Racial”, de Eduardo de Matos Silva, pela Rádio Gaúcha, levou a menção honrosa da categoria. O podcast atualiza o processo judicial envolvendo o assassinato em um hipermercado poucas horas antes do Dia da Consciência Negra e destaca iniciativas de combate ao racismo tomadas no país após o crime.

O segundo lugar ficou com “Dossiê Carajás - Corrupção e Descaso”, da jornalista Mariana Castagna Ferrari da Record TV. Já, em terceiro lugar, ficou “Invisíveis da Silva”, de Rodrigo de Castro Resende da Rádio Senado.

 


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