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Articulação da ANPR contribui para aperfeiçoamento da PEC da Segurança Pública aprovada pela Câmara

Articulação da ANPR contribui para aperfeiçoamento da PEC da Segurança Pública aprovada pela Câmara

Foi aprovada, nesta quarta-feira (4), pela Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, após amplo debate no Congresso Nacional e intensa atuação institucional da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que acompanhou de perto toda a tramitação da proposta para assegurar a preservação das competências constitucionais do Ministério Público e o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento ao crime organizado.

Ao longo do processo legislativo, a ANPR manteve interlocução permanente com parlamentares e autoridades públicas, atuando para evitar restrições indevidas à atuação institucional do Ministério Público e para garantir que o novo arranjo constitucional de segurança pública preservasse o equilíbrio do sistema de justiça.

Um dos pontos mais sensíveis do debate envolveu o alcance do poder normativo dos conselhos nacionais do sistema de justiça. O texto aprovado prevê a possibilidade de sustação, pelo Congresso Nacional, de atos normativos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que eventualmente extrapolem o poder regulamentar em matérias de segurança pública, direito penal, direito processual penal e direito penitenciário.

A atuação da ANPR foi decisiva para assegurar que essa previsão tivesse alcance delimitado, preservando a competência normativa do CNMP para editar normas primárias estruturantes relacionadas à organização administrativa do Ministério Público brasileiro.

Esse resultado foi fruto de um trabalho de articulação institucional realizado pela ANPR em parceria com o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), em diálogo constante com o Congresso Nacional.

A ANPR não poderia deixar de registrar seu reconhecimento à postura do relator da proposta na Câmara dos Deputados, Deputado Mendonça Filho, que demonstrou disposição permanente para ouvir e ponderar as contribuições apresentadas pelas instituições, acolhendo, sempre que possível, sugestões formuladas pela ANPR, pelo CNPG e pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP).

Nesse espírito, a PEC avança e promove uma reorganização institucional do sistema de segurança pública, com destaque para a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e para o fortalecimento do financiamento do setor. O texto prevê a constitucionalização do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além da ampliação de suas fontes de receita.

Entre essas fontes passam a constar parcelas da arrecadação das apostas de quota fixa — as chamadas “bets” — bem como valores recuperados ou confiscados em razão da exploração ilegal dessas atividades, garantindo maior previsibilidade aos investimentos em segurança pública.

O fortalecimento do FNSP pode beneficiar iniciativas de combate ao crime organizado em todo o país, inclusive projetos desenvolvidos pelos Ministérios Públicos por meio dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECOS).

Para a ANPR, a aprovação da PEC representa um avanço importante para a construção de uma política de segurança pública mais integrada e eficiente, ao mesmo tempo em que preserva as garantias institucionais necessárias para a atuação independente e efetiva do Ministério Público na defesa da sociedade.

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